Casa de Cultura comemora 207 anos com música e exposição

Ao som de uma boa música. Assim foi a comemoração dos 207 anos da Casa de Cultura Heloísa Alberto Torres (CHAT), em Itaboraí, na noite da última quinta-feira (21/09). A programação contou com o show do fundador e baterista do Barão Vermelho, Guto Goffi e sua banda. E ainda uma exposição de vida e obra da antropóloga, indigenista e ex-diretora do Museu Nacional, Heloísa Alberto Torres, por meio de banners e objetos pessoais. Além de palestras com o jornalista William Mendonça e o historiador autodidata Dawson Nascimento, que falaram sobre a história da Casa e vida de Heloísa. Um poema foi recitado pelo poeta alagoano, Petrucio.
Segundo o gestor da CHAT, Sérgio Espírito Santo a memória da família Torres nunca poderá ser esquecida, pois foi e é muito importante para o cenário nacional. “Falar de Heloísa é algo que me emociona. Ela nasceu no dia 17 de setembro, assim como eu. Ela era indigenista, cuidava de índios e eu sou neto de índio. Poder realizar um evento em comemoração a esta Casa é algo gratificante e vejo o quando este espaço está se transformando, oferecendo eventos culturais, como sempre foi o desejo de Heloísa”, disse Sérgio destacando que este foi o trigésimo evento realizado na Casa de Cultura este ano, até o momento.
Segundo o jornalista Wiliam Mendonça, Heloísa foi uma mulher importante, mas que não teve seu devido reconhecimento na história do país. Inclusive seu nome faz parte de um concurso oferecido pela Associação Brasileira de Antropologia, por meio do prêmio Heloísa Alberto Torres, dedicado ao melhor artigo com resultado de pesquisa antropológica na modalidade mestrado desenvolvida em universidades brasileiras.
“Vale ressaltar que todas as suas conquistas foram por mérito próprio e competência acadêmica, e não por ser filha de Alberto Torres. Heloísa foi à primeira mulher funcionária do Museu Nacional, em 1918. E foi nomeada por Getúlio Vargas em 1938, como diretora da Instituição, onde permaneceu até 1955”, disse William.
Guto Goffi agradeceu pelo convite de poder mostrar sua música em uma data de comemoração da Casa. “Eu frequento esta cidade desde 1996 e sempre vim a esta Casa. Parabéns a esta gestão por manter viva a história da Casa e promover eventos culturais nela”, disse Guto.
A nutricionista Pâmela Queiroz, 28 anos, gostou do que viu e elogiou a organização do evento. “Nunca tinha vindo a esta Casa e nem ao menos sabia da riqueza de sua história. Fiquei encantada com tudo que vi e ouvi, estão todos de parabéns. Música boa, história, exposição e ainda um buffet maravilhoso”, disse Pâmela.
Participaram ainda do evento, os vereadores Joana Lage e Agnaldo Coutinho. A exposição gratuita ficará aberta para visitação até o dia 2 de outubro, de segunda a sexta-feira, das 9h às 17h. A Casa de Cultura Heloísa Alberto Torres fica localizada na Praça Marechal Floriano Peixoto, nº303, Centro.

Histórico

Nascida no Rio de Janeiro, em 17 de setembro de 1895, Heloísa Alberto Torres era a terceira filha de Alberto Torres e Maria José Xavier da Silveira. Alcançou reconhecimento internacional por seus estudos e trabalhos nas áreas de antropologia, arqueologia e etnografia do Brasil – ocupando os principais cargos na área, inclusive o de Diretora do Museu Nacional.
Passou parte da infância em Petrópolis, durante a gestão de Alberto Torres como presidente do Estado do Rio de Janeiro, quando foi aluna interna do Colégio Notre-Dame de Sion. Adquiriu diversos conhecimentos humanísticos e linguísticos, sendo fluente em inglês e francês. Em uma de suas três viagens à Europa, durante a adolescência, escapou da morte em um naufrágio, ocorrido em 1907, em Lisboa.
Ingressou no Museu Nacional em 1918, quase um ano após o falecimento do pai, trabalhando como assistente do professor Roquete Pinto. Heloísa Alberto Torres, desde muito jovem, conviveu com alguns dos principais intelectuais brasileiros, amigos de Alberto Torres, como Rui Barbosa, Quintino Bocaiúva, Alberto de Oliveira e Nilo Peçanha. Foi fortemente influenciada por Roquete Pinto e pelo desbravador Marechal Rondon.
Em sua carreira, foi professora da Divisão de Antropologia, Etnografia e Arqueologia, membro do Conselho das Expedições Artísticas e Científicas do Brasil, diretora do Museu Nacional, nomeada por Getúlio Vargas em 1938 (cargo que exerceu até 1955), professora de Antropologia na Universidade do Distrito Federal e na Faculdade de Filosofia do Instituto Lafayete (atual UERJ), entre outros. Foi uma das pioneiras da luta pelos direitos das mulheres no Brasil e representante do país em diversas Conferências e Entidades Culturais no exterior.
Aos 81 anos, em 23 de fevereiro de 1977, numa noite quente de verão, Heloísa Alberto Torres faleceu, vítima de insuficiência respiratória aguda. Seu corpo foi sepultado no mausoléu da família Torres, no Cemitério de Porto das Caixas. Como era seu desejo em vida, o sobrado colonial em que residiu durante os últimos anos de vida, ao lado de sua irmã Marieta, em Itaboraí, foi doado ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), e funciona hoje como a Casa de Cultura da cidade.

Fonte:Facebook Prefeitura Municipal de Itaboraí

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